20.4.14

Anônimos




Hoje ano passado acordamos com sinos e fogos de artifício. Pela janela do hotel dava pra ver a multidão, a carroça da qual os fogos saíam, e a banda vestida a caráter, os padres e tudo mais. Domingo de Páscoa em Florença é pra impressionar até os ateus - que dirá eu, que amo rituais. Num trem dias depois, enquanto dormia minha irmã e o mundo passava derretido pela janela, nasceu esse poema.

Talvez porque vendo o mundo a gente vê que se carrega pra onde vai, e que tudo é sempre provisório, principalmente quando as malas são invisíveis.
Só por hoje é o lema dos Alcóolicos Anônimos.

É o meu. Porque a vida é hoje e só por hoje, sempre.

15.4.14

Celebrando a parceria







Quinta, dia 17, eu e Thereza Rocque da Motta convidamos pra Ponte de Versos comemorando os dois anos da nossa parceria com o relançamento do meu primeiro livro.

O substantivo feminino nasceu independente em 2003, logo esgotou a tiragem de mil exemplares e ficou fora do ar por uns bons anos até a Thereza me fazer esse convite de reeditar pela Ibis Libris Editora.

Convidei amigos queridos pra lerem esses que são meus primeiros poemas, e vou fazer pela primeira vez no Rio um recital grande misturando os clássicos e os inéditos. Parece loucura pensar que já tem mais de quinze anos que digo poemas por aí, já fiz recitais assim em Porto Alegre, em Recife, em Portugal, mas não na minha cidade.

É agora. Muito feliz. Espero vocês pro abraço.

9.4.14

Questão de família estreia no GNT






Estreia hoje, às 22h30, no GNT, e eu não podia estar mais feliz. Montagem minha e do Leonardo Gouvea e assistência do João Coimbra Marinho, minha estreia montando ficção com o super Sergio Rezende, com roteiros deles e do Rodrigo Lages, produção de Mariza Leao e Erica Iootty, direção de produção de Thiago Pimentel, repetindo a parceria com os queridos e talentosos Dante Belluti na fotografia, Fabiana Passos Egrejas na direção de arte, Mel Akerman no figurino. Trilha do Miguel Briamonte, finalização de imagem da Afinal Filmes, edição de som e mixagem Gustavo Loureiro e Tomas Alem. Um elenco de dar gosto: Du Moscovis, Malu Galli,Georgiana Góes, Luiza Mariani, BellatrixSerra Carrijo, Pablo Sanábio, Iano Salomão, Pedro Brício e participações especiais de atores pra quem eu faço muito uau como Cristina Flores, Ernani Moraes, Marcia Cabrita, Leticia Colin,Raphael Logam. No episódio 1 quem dá show são os incríveis Isabel Guéron eMárcio Vito. Pra quem é futeboleiro e já sabe que vai perder na 4a à noite aí vão todos os horários - e olha que são muitos!

3.3.14

Um sol

Dez anos sem Tonho no mundo.
Nem um dia sem ele no peito.
É carnaval, eu ando vestida de bananas e hoje o sol se fez carne em purpurina.
O afeto, que é eterno, ilumina a segunda-feira e a vida inteira.
Saudades, meu amigo.



3.2.14

Elisa Lucinda: amor e rumo





Hoje é dia dela, uma outra mãe que a vida me deu, eu que já vim com uma tão maravilhosa de barriga. Foi lá nos meus dezessete que ela me apareceu com suas palavras, sua voz, sua presença forte e feminina, dizendo esse poema no Parque Lage num Dia Internacional da Mulher. Completamente extasiada, fui falar com ela, eu não sabia que se podia dizer poemas assim, que um poema podia ser aquilo. Eu não sabia ali naquele primeiro instante mas a minha vida ia mudar pra sempre com esse encontro.

Ela estava sem livros na hora mas foi lá em casa na semana seguinte me vender um livro, nós duas na portaria do prédio em Laranjeiras, o livro comprido de capa laranja misturando poemas e contos, a dedicatória dela inventando o futuro:
"Maria, seja esse verso acumulado aqui um companheiro seu.
Que você goste e me venda a outros.
Me ligue.
Beijos, Elisa Lucinda"

Eu liguei, em lágrimas, depois de ler um conto chamado "Re-Luzia", dizendo que quando tivesse uma filha ia dar esse nome, ela me agradeceu emocionada. Anos depois fui ver seu espetáculo solo na Casa da Gávea, e um dia na PUC uma amiga anunciou: estou fazendo uma oficina de poesia falada com a Elisa Lucinda. Pirei. Me matriculei na próxima turma, e subindo as escadas do prédio dela no Leblon no primeiro dia de aula ela me diz lá de cima, sorrindo: "Maria, que bom que você chegou!".

Eu cheguei e foi pra sempre. Ganhei ensinamentos de palavras, de tons, aprendi poemas e temperos, usufrui da sua doçura e gargalhada. Virei sua aluna, sua professora assistente, sua amiga, sua filha e mãe também.

Obrigada Elisete, por me dar um sonho e um rumo. Feliz idade nova, saúde sorte e muita alegria pra você que eu tanto amo.

A série Admirada chegando enfim à sua origem.
De Elisa Lucinda: "Aviso da lua que menstrua".

29.1.14

Carta do Pessoa pra Ophelinha

Todas as cartas de amor são ridículas, ele escreveu.
E taí a prova de que as cartas de amor, se há amor, têm de ser ridículas - mesmo quando escritas por um poeta como Fernando Pessoa.
Desconcertada de beleza e sorrisos eu fico cada vez que leio.


8.12.13

Dizendo Hilda #3


Hilda Hilst. O que dizer?
Eu que quase só gosto de poesia coloquial, muito conversada, me rendo aos seus poemas cheios de segundas pessoas e palavras raras. Porque a poesia quando é boa assim rasga manuais e derrete conceitos.

Mais um da série Admirada.
Hilda Hilst. "Toma-me".
Eu me entrego.

20.11.13

Fissura



Eu hoje mudo de idade.
Os 34 foram puxados. Doces. Exuberantes. Duros. Itinerantes.
A vida vai indo, puxando tapetes, soltando fogos de artifício, e eu não canso de achar legal viver.

Nem todo dia é dia de poesia.
Hoje sim.
Pra receber os 35 com tudo que vier: "Fissura".

1.11.13

Everton Behenck no Rio hoje!

Hoje na Travessa de Ipanema é lançamento de dez autores gaúchos, entre eles o querido Everton Behenck, poetaço de quem eu sou fã e tive a sorte de virar amiga. Eu devoro o blog dele e hoje umas 20:30 vou lá ler os meus preferidos, coisas fodonas como esse poema que eu gravei ano passado e não cansa de me emocionar.


30.10.13

O passado de "Meu passado me condena"

Quatrocentas e vinte mil pessoas foram ao cinema esse fim-de-semana ver Meu passado me condena. 420.000 pessoas. É gente pra caramba. É uma estréia de arrasar, e aponta que o filme vai ser um sucesso de bilheteria, e a gente, que trabalhou nele, comemora e brinda. Quem olha de fora ou tá chegando agora pode pensar que isso estava escrito nas estrelas, que fazer um filme num cruzeiro de um grande navio com o Fabio Porchat é uma garantia de dinheiro entrando pelas catracas dos cinemas, e que esse devia mesmo ser o plano desde o início. Podia ser, sabe? Viver de cinema é como viver de advocacia ou de medicina: tem o sonho, o desejo de fazer o melhor, tem o cotidiano do trabalho, o dia-a-dia árduo do mundo real, e tem o fato de que é preciso viver do que se faz. Ganhar dinheiro com cinema é como ganhar dinheiro com qualquer outra profissão: necessário e muito desejável.

Só que nesse caso é tudo uma surpresa, e o filme ganhou tanta projeção que às vezes até eu mesma, que estou lá desde o começo, me distraio e me esqueço do quão inusitado é todo esse espaço e essa boa recepção.

Era uma vez uma jovem que termina um namoro, sofre horrores e descobre no meio das lágrimas o blog de uma outra cheio de textos lindos e ácidos sobre o amor e seus desdobramentos. A primeira, Julia Rezende, minha irmã, vira fã de carteirinha da segunda, Tati Bernardi. Muitos anos depois, Julia é diretora de cinema e televisão e prepara o roteiro do seu primeiro longa-metragem, Ponte Aérea, escrito em parceria com Rafael Pitanguy, sobre a história de amor de uma publicitária paulista e um artista plástico carioca. Depois de muitas versões do roteiro, ela tem a ideia de convidar aquela escritora que tanto admira, que fala de amor com emoção e ironia, pra colaborar no roteiro. A parceria não vinga pra esse projeto mas rende outro: juntas, as duas começam a desenvolver um projeto de série de televisão sobre um casal que se conhece e se casa depois de apenas um mês de convivência, vai passar a lua-de-mel numa pousada na serra e lá começa a realmente se conhecer e descobrir os podres do passado um do outro. Apimentando a receita, os donos da pousada são um ex-casal amargo e trambiqueiro que só aumenta as confusões.

Era uma vez uma produtora de cinema querendo abrir suas asas para a televisão, num momento em que uma nova lei foi aprovada determinando que os canais a cabo tem que ter uma parcela de sua programação de conteúdo original produzido no Brasil. Essa produtora é a minha mãe, Mariza Leão, responsável por filmes importantes desde o começo dos anos 80 e por algumas das maiores bilheterias do cinema brasileiro recente. Julia apresentou o projeto pra Mariza e juntas elas o ofereceram ao Multishow. Nascia aí Meu passado me condena, série em treze episódios.

Fabio Porchat e Miá Mello eram comediantes talentosos de que muito pouca gente tinha ouvido falar, Inez Vianna e Marcelo Vale, grandes atores de teatro, completavam o elenco principal, e Julia Gorman e Rafael Sieg eram os ex-namorados que mudavam a cada episódio. Agrana era curta então tudo foi pensado pra ser gravado no sítio da nossa família, onde equipe e elenco ficaram hospedados por cinco semanas enquanto o trabalho acontecia. A equipe era toda de amigos feitos no trabalho, nas outras duas séries que a Julia tinha dirigido para o Multishow. Gente jovem, cheia de gás, muitos começando a assinar trabalhos como chefes de equipe, todos vibrando na mesma sintonia pra fazer um programa bacana, inclusive eu que não estava no sítio e sim no Horto, na ilha de edição, montando tudo.

No meio das gravações foi lançado o Porta dos Fundos. Muito rapidamente Fabio Porchat virou um ícone, um nome, um rosto conhecido e admirado no Brasil inteiro. Ao mesmo tempo, um produtor argentino procurou a Mariza com uma proposta de fazer um filme num navio de cruzeiro numa viagem do Rio pra Europa. Ele tinha produzido um filme assim na Argentina e o navio estava aberto pra fazer outro. Eles não davam dinheiro, mas ofereciam uma locação improvável e linda e hospedavam equipe e elenco na travessia. Só que ela tinha que desenvolver um projeto que se encaixasse nesse perfil, e um casal em lua-de-mel era perfeito pra um cruzeiro intercontinental. Mariza propôs, o Multishow topou ceder os direitos, Tati começou a trabalhar feito louca no roteiro de um longa, Mariza fechou parceria com Paris Filmes, RioFilmes e Globo Filmes, e conseguiu o dinheiro numa velocidade estonteante. Era o começo de Meu passado me condena - o filme. Quando tudo parecia perfeito perdemos o navio. Eles fecharam com outra produtora, outro projeto, outro filme. Subitamente a gente, que começou tendo só um navio e nada mais, tinha tudo menos um navio.

Começou-se a pensar em opções. Filmar num resort. Num cruzeiro curto, Rio-Búzios, indo e vindo cinco vezes pra dar tempo de fazer todas as cenas. Mas a Mariza é tinhosa e conseguiu um baita navio, o Costa Favolosa, que saía do Rio rumo à Itália em março desse ano. Seis meses depois da ideia do filme ter surgido, lá estávamos nós no porto do Rio embarcando nessa aventura. Alguns novos parceiros na equipe, reforço de Juliana Didone, Alejandro Claveaux e Rafael Queiroga no elenco, além de participações especialíssimas como a da Elke Maravilha.

Foram vinte e um dias no mar, cinco sem ver terra. Paradas em Ilhéus, Maceió, Recife, Tenerife, Funchal, Marseille, Casablanca, tantas cidades. Mais tons de azul do que eu sabia que existiam. As dificuldades de fazer um filme em um cruzeiro de verdade, com três mil passageiros, dois mil tripulantes, contando com a compreensão de todos pra fechar piscinas ou salões pra podermos filmar, e aproveitando o entusiasmo dos passageiros que adoravam fazer figuração. Eu tinha uma cabine-ilha-de-edição, um cantinho escuro onde eu passava os dias montando as cenas filmadas dois dias antes. 

Sabe aquele papo de que navio não balança, afinal é um edifício de treze andares, muito grande, muito sólido? Balela. Balança. Bastante. Ou pelo menos foi o que me pareceu a partir do quarto dia, quando eu comecei a passar bem mal. Chegando no Rio fiz exames e soube que era dengue. Imaginem. Não fui à piscina, não fui às festas na véspera das folgas, não fiz aula de salsa, não bebi no bar vermelho. Mas montei um filme sobre as ondas. E conheci muitas cidades. E fiz amigos.

Chegamos na Itália e lá filmamos mais três dias. Muita gente da equipe nunca tinha ido à Europa e agora estava trabalhando lá. Julia fez aniversário, 27 anos.Voltamos pro Rio e o trabalho continuou: terminar de montar, fazer trilha, editar o som, corrigir a cor, mixar. Nas primeiras sessões do filme para os distribuidores a surpresa: eles acharam que tínhamos ouro nas mãos. Uma comédia romântica, engraçada, emocionante, bem filmada, elenco tinindo, cenários incríveis. E nosso filme nascido no susto começou a ganhar corpo de gente grande, e começou a ser pensado um lançamento poderoso, muito maior do que o previsto anteriormente.

Aí chegamos a hoje. Quatrocentas e vinte mil pessoas em três dias. É o décimo melhor fim-de-semana de abertura de um filme brasileiro desde a Retomada. Faremos um milhão de espectadores até o fim-dessa semana. A gente se espanta, a gente comemora, a gente brinda e agradece. Talento, trabalho duro e sorte são uma combinação explosiva. Esse filme nasceu regido por esse trio. E eu, que já me incomodei muito de trabalhar em família, celebro a estreia na telona da minha irmã, uma diretora tão jovem e tão determinada e segura e afiada, e a alegria de ser parceira dela em todos os seus projetos até hoje.

E enquanto o filme nos dá tanta alegria nos cinemas, estreia hoje a segunda temporada da série: Fabio e Miá depois da lua-de-mel, morando em Santa Tereza e descobrindo os desafios da vida cotidiana. Meu passado me condena. Nos cinemas de todo o Brasil. Na tela da sua tv toda quarta-feira às 23h no Multishow. 

Agora é se preparar pro Ponte Aérea - lembram dele? O primeiro projeto virou o segundo filme e ano que vem ao invés de um navio intercontinental estaremos entre Santos Dumont e Congonhas, Rio-Sampa, filmando a história de amor de Amanda e Bruno. Outro projeto, outro desafio. Não é comédia, não deve bater recordes de bilheteria. É o filme com que a Julia sonha há cinco anos, e eu mal posso esperar pra botar a mão na massa com ela de novo.


Lembranças da primeira temporada da série no sítio:









Lembranças da nossa aventura al mare:

No porto do Rio


Heloísa Rezende, nossa produtora executiva, embarcando


Quarto com varanda é mó legal

Elke e a plaquinha que acompanhava a filmagem pra todo lado

Início das filmagens numa das piscinas

No porto de Salvador

Almoçando acarajé com Mel e Fabi

Fabio, Miá e nossa super figurinista Mel

Tentando melhorar do enjôo que afinal era dengue

#semfiltro

Vendo as primeiras cenas montadas na hora do jantar

Miá, Mel, Ju, Fabi e suas roupas de bichinhos

O famoso bar vermelho, point das noites que minha dor de cabeça não me deixou frequentar
Luz e Bia na folga em Funchal

Tiau Funchal

Ilha de edição sobre as ondas



Filmando no deck do tobogã


Julia pensando o próximo plano

Al mare!

I'm the corno of the world!

Foto de equipe no por-do-sol

Foto de equipe em Savona

Fabio, Ju e Miá no 1o dia de filmagem no Rio

Queiroga, Fabio, Inez e Marcelo na Itália

Mariza e sua tradição de bater claquete em todos os filmes

Os protagonistas e a diretora

Alegria no restaurante

Aproveitando a falsa folga em Casablanca

Azul-oceano-Atlântico devia ser o nome dessa cor

Congelando na Itália

Com mamãe Mariza em Savona
   

Tiau Costa Favolosa com a Ju

Hotel de frente pro mar



Os italianos chamavam ela de "la registra"

19.9.13

Estreia em Portugal




Depois de dizer poemas em Recife, Belém, São Paulo, Porto Alegre, chegou a minha estreia em Portugal.

Estarei no Festival Raias Poéticas, em Vila Nova de Famalicão, nos dias 20 e 21 de setembro, ao lado de poetas de Portugal, Brasil, Espanha, Cabo Verde, Angola e Moçambique.

Aproveitando a viagem, faço três apresentações em Lisboa: no Mini Teatro Da Calçada (dia 23, às 20:30), na Casa Brasil de Lisboa (dia 24, às 21:30) e na Fábrica Braço de Prata (dia 25, às 22:00).

Nas mesmas noites haverá a apresentação de Luana Carvalho, cantora, compositora e escritora brasileira que está lançando a revista literária virtual C A I S com leitura de textos, projeção de vídeos de Clara Cavour e canções incidentais.

Serviço:

20 e 21.set - Festival Raias Poéticas - Vila Nova de Famalicão
23.set, 20:30 - Mini Teatro - Calçada do Combro 147 - Lisboa
24.set, 21:30 - Casa Brasil de Lisboa - Rua Luz Soriano 42 - Lisboa
25.set, 22:00 - Fábrica Braço de Prata - Rua da Fábrica do Material de Guerra 1 - Lisboa



22.8.13

No Globo de hoje!




Matéria bacana da Mariana Müller na capa do Zona Sul, do Globo, hoje, sobre a poesia falada no Rio. Tem eu, Mônica Montone, Mano Melo, Claufe Rodrigues, Chacal, Línox e mais um bando de gente bacana.

Aqui ó.

16.8.13

Poesia em Portugal!






Agora é oficial. Portugal, aí vai essa poeta brazuca. A convite do Festival Raias Poéticas do super Luís Serguilha, com recitais no Mini Teatro da querida Susana Palmerston e em mais cantos que ela tá me ajudando a marcar. Em setembro, que é depois de amanhã na ansiedade e excitação com a ideia de dizer meus poemas na minha língua em outro continente e ser entendida. Você que sabe de um lugar perfeito pra um recital meu por lá, você que tem amigos que vão adorar me ver falar, você que tem dicas lisboetas: tô aceitando tudo. Vai ser intenso.

11.8.13

Amor de pai & filha







Maria
O futuro chegou contigo
Numa manhã de novembro
Mas não se revelou logo naquele dia;
Foi se instalando em mim aos poucos
Por vezes calmo, às vezes violento,
Me atirando contra as paredes da vida
E batendo com minha cabeça
Em forças que desconheço.

Maria, o teu presente é o meu presente,
Como teu presente é o meu futuro
E teu futuro será meu passado,
Um dia.

Me vem ansiedade, Maria, 
Por te conhecer antes que me reconheças
E ao tempo
Que me fará um dia teu pai
Diferente do pai que te sou hoje:
Cabelos brancos, corpo marcado
E você, Maria, uma mulher pronta
No aeroporto, a decolar.

Sergio - 25.1.1979

#
 
Achei essa carta do meu pai pra mim há alguns anos. Chorei as lágrimas boas do amor infinito que nos une. Foi muito intenso ler esse amor escrito nos meus dois meses de vida, e agradeci ao meu pai mais esse carinho: ele escreveu, guardou, e eu já adulta recebi esse presente. 

Há um mês atrás, me preparando pra ir passar um mês em NY, abri um móvel que vive trancado a chave, dentro do qual tem uma caixinha onde achei que pudesse ter uns dólares guardados. Encontrei o dinheiro e essa preciosidade. Reler essa carta no dia mesmo em que ia pegar um avião pruma viagem especial, uma viagem de encontros profundos com amigos que eu amo, uma viagem de estar comigo e me reconhecer depois de tantas mudanças, foi emoção pura. Porque o tempo cumpriu sua tarefa. Chegou aquele dia. Meus próprios cabelos já começam a ficar brancos. E o amor da gente muda, mas não gasta nem um bocadinho.

É tudo tão íntimo que eu hesito mas a beleza mora mesmo na intimidade, e tem amor que dá vontade de gritar pro mundo. Esse é um deles.



10.8.13

Poema inédito, vídeo novo



Esse poema nasceu num trem que veio depois de um navio e antes de muitas ruas.
Nunca viajei tanto quanto esse ano, pra dentro e pra fora de mim.
E vendo o mundo a gente vê que se carrega pra onde vai, e que tudo é sempre provisório, mesmo quando as malas são invisíveis.
Só por hoje é o lema dos alcóolicos anônimos.
É o meu. Porque a vida é hoje e só por hoje, sempre.

Poema e voz: Maria Rezende
Imagens do Photobooth na cabine 7404 do navio Costa Favolosa.

9.8.13

Marina Abramović intensa. Uou.




Marina Abramović e seu manifesto. Intenso. Uou.




E aqui o texto em português. Uou. Uou. Ainda bem que eu não sou artista, sou só poeta.


Manifesto sobre a vida do artista



1. a conduta de vida do artista:
- o artista nunca deve mentir a si próprio ou aos outros
- o artista não deve roubar idéias de outros artistas
- os artistas não devem comprometer seu próprio nome ou comprometer-se com o mercado de arte
- o artista não deve matar outros seres humanos
- os artistas não devem se transformar em ídolos
- os artistas não devem se transformar em ídolos
- os artistas não devem se transformar em ídolos

2. a relação entre o artista e sua vida amorosa:
- o artista deve evitar se apaixonar por outro artista
- o artista deve evitar se apaixonar por outro artista
- o artista deve evitar se apaixonar por outro artista

3. a relação entre o artista e o erotismo:
- o artista deve ter uma visão erótica do mundo
- o artista deve ter erotismo
- o artista deve ter erotismo
- o artista deve ter erotismo

4. a relação entre o artista e o sofrimento:
- o artista deve sofrer
- o sofrimento cria as melhores obras
- o sofrimento traz transformação
- o sofrimento leva o artista a transcender seu espírito
- o sofrimento leva o artista a transcender seu espírito
- o sofrimento leva o artista a transcender seu espírito

5. a relação entre o artista e a depressão:
- o artista nunca deve estar deprimido
- a depressão é uma doença e deve ser curada
- a depressão não é produtiva para os artistas
- a depressão não é produtiva para os artistas
- a depressão não é produtiva para os artistas

6. a relação entre o artista e o suicídio:
- o suicídio é um crime contra a vida
- o artista não deve cometer suicídio
- o artista não deve cometer suicídio
- o artista não deve cometer suicídio

7. a relação entre o artista e a inspiração:
- os artistas devem procurar a inspiração no seu âmago
- Quanto mais se aprofundarem em seu âmago, mais universais serão
- o artista é um universo
- o artista é um universo
- o artista é um universo

8. a relação entre o artista e o autocontrole:
- o artista não deve ter autocontrole em sua vida
- o artista deve ter autocontrole total com relação à sua obra
- o artista não deve ter autocontrole em sua vida
- o artista deve ter autocontrole total com relação à sua obra

9. a relação entre o artista e a transparência:
- o artista deve doar e receber ao mesmo tempo
- transparência significa receptividade
- transparência significa doar
- transparência significa receber
- transparência significa receptividade
- transparência significa doar
- transparência significa receber
- transparência significa receptividade
- transparência significa doar
- transparência significa receber

10. a relação entre o artista e os símbolos:
- o artista cria seus próprios símbolos
- os símbolos são a língua do artista
- e a língua tem que ser traduzida
- Às vezes, é difícil encontrar a chave
- Às vezes, é difícil encontrar a chave
- Às vezes, é difícil encontrar a chave

11. a relação entre o artista e o silêncio:
- o artista deve compreender o silêncio
- o artista deve criar um espaço para que o silêncio adentre sua obra
- o silêncio é como uma ilha no meio de um oceano turbulento
- o silêncio é como uma ilha no meio de um oceano turbulento
- o silêncio é como uma ilha no meio de um oceano turbulento

12. a relação entre o artista e a solidão:
- o artista deve reservar para si longos períodos de solidão
- a solidão é extremamente importante
- Longe de casa
- Longe do ateliê
- Longe da família
- Longe dos amigos
- o artista deve passar longos períodos de tempo perto de cachoeiras
- o artista deve passar longos períodos de tempo perto de vulcões em erupção
- o artista deve passar longos períodos de tempo olhando as corredeiras dos rios
- o artista deve passar longos períodos de tempo contemplando a linha do horizonte onde o oceano e o céu se encontram
- o artista deve passar longos períodos de tempo admirando as estrelas
no céu da noite

13. a conduta do artista com relação ao trabalho:
- o artista deve evitar ir para seu ateliê todos os dias
- o artista não deve considerar seu horário de trabalho como o de funcionário de um banco
- o artista deve explorar a vida, e trabalhar apenas quando uma idéia se revela no sonho, ou durante o dia, como uma visão que irrompe como uma surpresa
- o artista não deve se repetir
- o artista não deve produzir em demasia
- o artista deve evitar poluir sua própria arte
- o artista deve evitar poluir sua própria arte
- o artista deve evitar poluir sua própria arte

14. as posses do artista:
- os monges budistas entendem que o ideal na vida é possuir nove objetos:
1 roupão para o verão
1 roupão para o inverno
1 par de sapatos
1 pequena tigela para pedir alimentos
1 tela de proteção contra insetos
1 livro de orações
1 guarda-chuva
1 colchonete para dormir
1 par de óculos se necessário
- o artista deve tomar sua própria decisão sobre os objetos pessoais que deve ter
- o artista deve, cada vez mais, ter menos
- o artista deve, cada vez mais, ter menos
- o artista deve, cada vez mais, ter menos

15. a lista de amigos do artista:
- o artista deve ter amigos que elevem seu estado de espírito
- o artista deve ter amigos que elevem seu estado de espírito
- o artista deve ter amigos que elevem seu estado de espírito

16. os inimigos do artista:
- os inimigos são muito importantes
- o Dalai Lama afirmou que é fácil ter compaixão pelos amigos; porém, muito mais difícil é ter compaixão pelos inimigos
- o artista deve aprender a perdoar
- o artista deve aprender a perdoar
- o artista deve aprender a perdoar

17. a morte e seus diferentes contextos:
- o artista deve ter consciência de sua mortalidade
- Para o artista, como viver é tão importante quanto como morrer
- o artista deve encontrar nos símbolos da sua obra os sinais dos diferentes contextos da morte
- o artista deve morrer conscientemente e sem medo
- o artista deve morrer conscientemente e sem medo
- o artista deve morrer conscientemente e sem medo

18. o funeral e seus diferentes contextos:
- o artista deve deixar instruções para seu próprio funeral, para que tudo seja feito segundo sua vontade
- o funeral é a última obra de arte do artista antes de sua partida
- o funeral é a última obra de arte do artista antes de sua partida
- o funeral é a última obra de arte do artista antes de sua partida






http://tilintar.blogspot.com.br/2010/11/manifesto-sobre-vida-do-artista-marina.html

8.8.13

República Ornitorrinco hoje na Comuna



REPÚBLICA_ORNITORRINCO é quando abrimos para o público a nossa sala de redação onde discutimos as próximas pautas e conversamos sobre os acontecimentos da semana.

Como o universo do ORNITORRINCO é repleto de irreverência e descontração ao mesmo tempo em que aborda assuntos sérios e contemplativos, REPÚBLICA_ORNITORRINCO é essa transposição para o formato ao vivo. Os colunistas estão presentes debatendo alguns temas de suas escolhas e outras surpresas sobre a semana e o mundo.

Depois os colunistas Letícia Novaes e Vitor Paiva assumirão as pick-ups em sets junto do fotógrafo-DJ Camilo Lobo.

A entrada é gratuita.
Vai rolar bebidas, comidas, bate-papo, projeções, músicas.

19h30 - Primeira Parte
20h30 - Segunda Parte
22h30 - Terceira Parte

Tudo respeitando a falta de pontualidade, claro.

ORNITORRINCO
www.ornitorrinco.net.br